Avaliação Educacional
Por Demétrius Pecoraro
1. Introdução
Apresentação da disciplina
Prof.ª Vivian Batista das Silva
"Essa disciplina não terá conteúdo exclusivamente técnico, pois a avaliação não é uma questão apenas técnica mas possui uma dimensão complexa e para entende la é preciso entender a história da escola, visto que a avaliação é um produto da escola e onde acontece grande parte do tempo.
A avaliação que "define" o destino dos alunos e vai dizer se eles obtiveram ou não sucesso durante as aulas do ano letivo. Por isso a reflexão acerca da avaliação passa a ser mais ampla e sendo assim no decorrer das aulas iremos buscar memórias e experiência individuais como coletivas para trabalharmos sobre o tema avaliação educacional e da aprendizagem.
Vamos iniciar uma disciplina sobre uma atividade que é fundamental para o exercício da docência e que envolve inúmeras questões para compreendê-la de forma abrangente. Trata-se da avaliação.
No decorrer de nossas aulas, vamos mostrar que o ato de avaliar teve um papel estruturante na organização do sistema de ensino seriado, constituindo um aspecto importante da nossa cultura escolar e das memórias que temos das experiências vivenciadas como alunos. Por essa razão, a avaliação não é só um importante elemento para identificar os resultados dos processos de ensino-aprendizagem, mas também repercute na maneira pela qual consideramos a nossa capacidade de apreensão de novos conhecimentos e habilidades, com forte influência sobre as trajetórias de formação, gerando tanto histórias de sucesso quanto de fracasso escolar.
Assim, abordaremos a avaliação em suas diversas dimensões, incluindo desde o trabalho cotidiano do professor em sala de aula, com várias possibilidades de apreender e registrar os processos de aprendizagem de acordo com a natureza dos conteúdos ministrados e os objetivos propostos, até uma perspectiva mais ampla, voltada para verificar o desempenho de diferentes estabelecimentos de ensino e, assim, reunir dados para o planejamento de ações destinadas ao aperfeiçoamento de nosso sistema educacional.
Estamos, portanto, diante de uma temática complexa e instigante que permitirá rever nossas memórias dos tempos de escola e desenvolver uma reflexão, com base no conteúdo das videoaulas e dos textos indicados, que será fundamental para favorecer, no futuro, práticas avaliativas diversas e fecundas tanto para o desenvolvimento profissional dos professores quanto para a aprendizagem e a formação dos alunos.
Memórias da avaliação
Reveja suas memórias dos tempos de escola e desenvolva uma reflexão, com base nas questões sugeridas no exercício de apoio dessa semana. (todas as respostas são pessoais a partir de minha reflexão sobre a atividade proposta)
1) Quando você ouve a expressão "avaliação", o que vem à sua cabeça?
"Teoricamente o processo de determinar a capacidade de um indivíduo baseada naquilo que ele conhece ou domina vista pelo olhar e julgamento do outro."
2) Quais situações de sua vida estão ligadas à atividade de "avaliação"?
"Praticamente no período escolar e também em cursos realizados ao longo dos anos após a formação do ensino fundamental e médio. Sem dizer a constante "avaliação" do nosso desempenho no cotidiano durante toda nossa vida, em relação ao nosso lado profissional."
3) Quais sentimentos e sensações estão associados ao "ato de ser avaliado"?
"Costuma ser uma sensação tensa, pois nos deixa em uma posição "vulnerável" levando em conta que somos julgados ou mensurados através da visão de uma outra pessoa, mesmo que essa avaliação seja baseada em nossos conhecimentos adquiridos, nem sempre quem avalia utiliza de instrumentos e critérios coerentes para determinar um resultado "favorável" para ambas as partes."
4) Quais sentimentos e sensações estão associados ao "ato de avaliar"?
"Nesse momento a sensação costuma ser mais "confortável" para alguns, porém é de grande responsabilidade e necessita de critérios, coerência, observação, reflexão e diria até mesmo empatia e sensibilidade para o ato de avaliar em qualquer situação."
5) Considerando a sua trajetória de formação, descreva algumas das experiências de avaliação vivenciadas no Ensino Fundamental e Médio, explicitando os significados delas para a relação estabelecida por você com a escola, o conhecimento e a aprendizagem.
"Minhas experiências com avaliações, tanto no ensino fundamental e médio, foram de certa forma muito favoráveis e de grande incentivo para minha formação, visto que sempre tive muita facilidade no aprendizado e uma postura desejável e impecável como aluno (modestamente e também por falas de muitos de meus professores (as). Em geral as avaliações para mim serviram como um "certificado" de que estava cumprindo bem meu papel como aluno, que estava absorvendo e me apropriando dos conteúdos aplicados e por fim elas determinaram que meu futuro como cidadão estava sendo exercido com êxito. Porém como já dito anteriormente, a avaliação não pode nem deve ter um papel classificatório ou julgador, pois cada indivíduo tem seu tempo e suas particularidades para a aprendizagem."
2. "Será que é para nota": memórias e experiências de avaliação na escola
Praticamente todo o trabalho docente envolve a avaliação. É algo que está interligado: professor + escola + conteúdo + aluno = avaliação.A pergunta "será que é para nota" revela a ideia de que o aluno sente se obrigado a realizar determinada atividade tendo a nota como "recompensa", já para o professor essa proposta muitas das vezes tem a finalidade de "examinar ou diagnosticar" a aprendizagem do aluno. Avaliação/nota = "moeda de troca".
Esse universo da avaliação é um dilema também na formação de professores, uma vez que enquanto aluno do curso o indivíduo passa pelo mesmo processo de avaliação e nota como meio de testar e "classificar" seus conhecimentos.A avaliação não pode se restringir apenas a avaliar a aprendizagem, mas em geral levar o professor e o aluno a refletirem e buscarem estratégias para uma melhoria na aplicação e desenvolvimento do conteúdo e aprendizagem.
Ela deve ser um processo natural e constante para acompanhar a aprendizagem, identificar e entender o erro e poder aperfeiçoar a prática de ensino e aprendizagem do aluno.
Para isso o
erro dentro do ambiente escolar deve ser acolhido como algo natural, visto que
é errando que se aprende, e assim a avaliação passaria a ter um peso menor de
"punição", julgamento ou classificação. Avaliar não precisa ser somente através de uma prova, essa avaliação pode ser
feita de várias maneiras.
Porém também é preciso reconhecer que a avaliação não é algo neutro e isento,
ela tem muito a ver com escolha de conteúdo, o que privilegiamos nos alunos e
suas particularidades. O que é importante ser aplicado nessa avaliação de
acordo com o que se está ensinando e aprendendo para que a avaliação seja justa
e coerente, tendo em mente também como pontuar e notificar tudo isso.
E outro fator muito importante é que não se pode determinar a avaliação como um
atestado da capacidade intelectual do avaliado, não é porque em uma avaliação
um aluno obtém 4 ou 3 que ele seja incapaz e, em contra partida, o aluno que
obteve 9 ou 10 seja um gênio.
Pois uma interpretação errada nesse sentido pode gerar sérias consequências
para vida escolar do aluno, limitando ou acomodando o. O primeiro fator pode
até gerar exclusão ou evasão.A avaliação/Prova não pode e nem deve ser um "selo" que determine o
destino de alguém.
"O professor quando está avaliando o aluno é como descobrir o peso de uma pessoa sem a balança, não podendo obter o peso preciso, ou seja, na avaliação é preciso lidar com percepções, indícios, indicativos, tendo que considerar o ambiente, o momento, a trajetória do aluno como o que ele sabia e o quanto avançou ou regrediu, pois o aluno pode apresentar inúmeras dificuldades como também avanços e isso precisa ser visto e considerado. É preciso desnaturalizar a avaliação do modo automático apenas gerando uma nota. O professor precisa pensar o sentido dessa atividade a ser avaliada, lembrar que a avaliação é para promover a aprendizagem e aperfeiçoar o ensino e que ela não é neutra nem isenta, mas há um esforço em tentar "adivinhar o peso da pessoa sem a balança" e por isso é preciso mobilizar uma série de recursos para o instrumento de avaliar. E que essa nota não seja um veredito, mas sim, que ela pode ser algo variável em diversos momentos da vida escolar." (Prof.ª Paula Vicentini)
3. Avaliação na educação infantil
Aprendizagem é um dos pontos fortes presente na LDB, há uma
grande ênfase sobre ela, mas afinal de contas, o que é aprender!?
Há uma diversidade de conhecimento, de práticas e de situações que se deve
aprender, mas não necessariamente se é mobilizada as mesmas ações para tal
aprendizagem. Por exemplo, não se aprende a ler da mesma forma que se aprende a
andar de bicicleta.
Ouve se muito a frase: "para que ele aprenda é preciso se esforçar
mais." Mas o que seria esse "esforço", como reconhece lo ou o
que se deve ser feito para aprender!?
Aprender requer ações que mobilizem o indivíduo a refletir sobre o que e como
está aprendendo.
Aprender é uma prática e meios, que diferem de um para outro.
É importante também entender o que é o conhecimento, será que é progressivo,
acumulativo ou uma soma de aprendizados, ele envolve rupturas e
questionamentos, rever posições, crenças e comparação. Por isso para o professor é preciso perceber a maneira e as particularidades de
cada aluno, pois a função do professor é viabilizar a aprendizagem, e
reconhecer a forma que cada pode adquirir e aperfeiçoar sua aprendizagem, e
assim, definir a melhor estratégia para se alcançar o conhecimento. Por
exemplo, uns aprendem mais quando leem, outros quando anotam aquilo que leram
ou ouviram ou quando explicam para alguém, e assim é a forma de cada pessoa lhe
dar com o seu aprender.
Não existe uma única maneira de aprender! O conhecimento não é apenas um acúmulo de informações, envolve outras
dimensões, como tensão, revisão, conflitos de opiniões diversas,
questionamentos, argumentação.
Pois muitas vezes a aprendizagem e o conhecimento requer rupturas de crenças e
informações, que precisam ser revistas para que haja um avanço durante o
processo de aprender. Por isso a aprendizagem é um processo que se desenvolve e avança que em certos
momentos envolve aperfeiçoamento e revisão, por exemplo como quando se aprender
a ler e escrever, se olhar para trás é evidente o progresso e o avanço
adquirido, que sofreu sem dúvida um aperfeiçoamento e/ou uma revisão para que
esse processo fosse melhorado com êxito.
Esse
processo de aprendizagem envolve compreensão, entendimento e também o momento
de "treinar" ou fixar o que foi aprendido. A escola parte de uma concepção de aprendizagem diferente da citada acima, pois
quando a escola organiza os alunos em séries progressivas e elabora o currículo
que partem de conhecimentos mais simples para mais complexos, ela determina que
os alunos irão acumular conhecimentos para avançar de uma série para outra,
gera se uma concepção de conhecimento, afirmando que é possível ensinar a mesma
coisa e ao mesmo tempo para todos.
E que para isso basta ouvir o professor, fazer exercícios e repetir e fixa los.
E como já dito anteriormente não é bem assim que funciona o processo de
aprendizagem ou a forma de se aprender, sendo bem complexo e misterioso. Para Meirieu, o processo de aprendizagem envolve um conhecimento já existente e
um novo e a partir dessa interação que o sujeito constrói novas formas de
compreensão e informação. A avaliação está muito associada a aprendizagem, mas não é necessariamente uma
questão de prova. Pois quando uma criança está aprendendo a andar ela cai, levanta,
testa seu equilíbrio e continua. Sem ter sido avaliada ou "provada."
O errar faz parte da aprendizagem, e o professor deve saber lidar e perceber
isso.
A avaliação não precisa ser um instrumento de tortura, mas sim, um instrumento
de conhecimento, um elemento para que o aluno possa se situar no processo de
aprender e reconhecer o que ele já sabe e domina ou o que precisa ser
reforçado. E logo o professor precisa estar atento para ser sensível a essa
função da avaliação.
A
cultura escolar e os sentidos de ensinar, aprender e avaliar
Desde a criação dos grupos escolares
no século passado (1893) e a implantação da escola graduada, criou se também
essa cultura de avaliação, prova e nota.
Porém como já dito anteriormente a avaliação dever ir além de um mero recurso
de classificar o aluno, precisa verificar e otimizar essa aprendizagem.
Esse contexto pedagógico que institui a relação idade, série e conhecimento,
automaticamente institui se que há momentos específicos para se avaliar.
Recurso que determinava a aprovação ou reprovação do aluno para uma série
seguinte.
Naquele momento foi importante pois era a concepção de aprendizagem e
conhecimento na época das escolas primárias.
A avaliação era vista como simples ato de decorar o conteúdo transmitido e
reproduzi lo na prova. Porém ao longo dos anos essa cultura escolar sofreu grandes mudanças em relação
ao ato de avaliar. Pois o conhecimento pedagógico hoje em dia tem uma nova
concepção.
Hoje o sentido de ensinar, aprender e avaliar foram revistos, tornando a
aprendizagem algo mais efetivo e coerente.
Essa mudança efetiva pode ser notada a partir da criação da LDB em 1996, onde
as avaliações ganharam um novo sentido e finalidade, como por exemplo
qualitativa ou contínua, embora ainda deixem a desejar na prática.
LDB (lei nº 9394/96), ler artigo sugerido abaixo:
Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns:
I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver;
I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas para o ensino fundamental e para o ensino médio, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver; (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017)
II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do ensino fundamental, pode ser feita:
a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou fase anterior, na própria escola;
b) por transferência, para candidatos procedentes de outras escolas;
c) independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino;
III - nos estabelecimentos que adotam
a progressão regular por série, o regimento escolar pode admitir formas de
progressão parcial, desde que preservada a sequência do currículo, observadas
as normas do respectivo sistema de ensino;
IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes curriculares;
V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:
a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar;
c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado;
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos;
VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação;
VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares, declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos, com as especificações cabíveis.
Parágrafo único. A carga horária mínima anual de que trata o inciso I do caput deverá ser progressivamente ampliada, no ensino médio, para mil e quatrocentas horas, observadas as normas do respectivo sistema de ensino e de acordo com as diretrizes, os objetivos, as metas e as estratégias de implementação estabelecidos no Plano Nacional de Educação. (Incluído pela Medida Provisória nº 746, de 2016)
§ 1º A carga horária mínima anual de que trata o inciso I do caput deverá ser ampliada de forma progressiva, no ensino médio, para mil e quatrocentas horas, devendo os sistemas de ensino oferecer, no prazo máximo de cinco anos, pelo menos mil horas anuais de carga horária, a partir de 2 de março de 2017. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
§ 2o Os sistemas de ensino disporão sobre a oferta de educação de jovens e adultos e de ensino noturno regular, adequado às condições do educando, conforme o inciso VI do art. 4o. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
4. As avaliações qualitativas versus avaliações quantitativas: entre duas lógicas
O que é avaliar?
É verificar até que ponto o aluno absorveu o conteúdo aplicado;
Para que avaliar?
Para reconhecer de que forma o aluno tem registrado o conhecimento adquirido e caso seja preciso, criar novas maneiras para melhorar a assimilação deste conteúdo pelos alunos;
Como e quando avaliar?
Nesse ponto é algo que será decidido por cada professor e instituições, desde que o critério de avaliação seja formativa e não quantitativa. O ideal seria avaliar dentro do período em que o conteúdo foi aplicado;
Tanto em séries ou ciclos a avaliação se faz necessária para que seja incorporada mudanças no processo de aprendizagem. Seja para mudanças na prática do docente e sua didática ou para perceber aquilo que o aluno sabe ou não naquele período.
O equívoco que há é supor que o aluno que se encontra em determinada série/ano/ciclo, domine tudo que foi ensinado e aprendido na fase anterior. Por isso a avaliação serve para esse reconhecimento e tornar possível uma mudança na didática a partir dessa verificação de aprendizagem.
As notas são equilíbrios frágeis, segundo Philippe Perrenoud, não podendo ser o único fator de mensuração da aprendizagem. A nota é muitas das vezes um critério particular de cada professor e em contra partida uma nota boa pode ter sido fruto de uma "cola" da matéria aplicada em provas/avaliações.
Por isso a avaliação deve ser formativa, ou seja, tem a finalidade de formar o aluno através processos que visam aperfeiçoar o seu aprendizado e não quantificar (o caso da nota).
O aluno precisa ser condicionado à
perder o medo da avaliação, mas saber que isso será um recurso para melhorar o
seu aprendizado.
Avaliação quantitativa e qualitativa na escola: o que realmente vale?
A principal diferença entre esses dois tipos de avaliação é que a quantitativa é baseada em números e cálculos matemáticos, enquanto a avaliação qualitativa tem base no caráter subjetivo, usando narrativas escritas ou faladas. Avaliação qualitativa também é usada para descobrir tendências de pensamento e opiniões;
O uso do método de avaliação qualitativa e quantitativa na escola pode gerar impactos nos resultados educacionais dos estudantes. Isso acontece como consequência das formas avaliativas adotadas pelos professores dos sistemas de ensino, que podem optar por testes específicos.
Essas verificações podem ser divididas em dois grandes grupos: as avaliações qualitativas - que se preocupam mais com os aspectos de aprendizagem - e as quantitativas - que valorizam a abordagem com classificações por meio de números, conceitos e medição de aprendizado.
Porém, dependendo de
sua utilização, os efeitos podem refletir de forma negativa na formação dos
discentes, caso sejam aplicadas tradicionalmente.
Para
que avaliar? Os processos avaliativos a serviço das aprendizagens
Ler
novamente o artigo 24 da LDB
Avaliar de forma qualitativa segundo a LDB, é olhar de fato para a
aprendizagem. Isso faz com que o professor repense sua forma de avaliar, qual o
objeto de estudo e o momento certo de verificar o conhecimento dos alunos.
Não se avalia para aprovar ou reprovar, mas sim, para que os alunos aprendam.Avaliação continuada, geralmente aplicada em ciclos, se torna perigosa visto
que entende se que não se gera uma nota e assim o aluno não precisa mais
estudar. Porém não é bem assim desde que seja feito algo para aprimorar o
conteúdo aplicado e assim ajudar o processo de aprendizagem dos alunos.
5. Avaliar para aprender: entre diferentes conceitos e instrumentos
A avaliação não se dá em um vazio
conceitual, ela está interligada a uma visão de mundo, sociedade, de educação,
de escola e de ser humano. A forma de avaliar faz parte de um projeto educacional que serve para manter ou
transformar uma realidade e uma sociedade.
Por isso quando se discute avaliação não é apenas uma questão pedagógica ou
didática, mas sim, uma questão política e social.
Por exemplo a relação que o aluno estabelece com sua família é qualificada pela
avaliação escolar muitas vezes e acaba contribuindo para que esse aluno
continue ou não na escola, ter êxito ou não em sua trajetória acadêmica, devido
aos pré julgamentos de família e escola.
Então se queremos um avaliação emancipadora, para autonomia e qualidade social
da educação é preciso negar uma avaliação que classifica, que compara, que
controla ou que gere êxitos ou fracassos. Essa atitude deve valer para todas
faixas etárias, desde bebês, crianças, adolescentes, jovens e adultos.
Uma avaliação a serviço da aprendizagem ela nega essas hierarquias da excelência, não podemos aceitar um instrumento de avaliação que serve apenas para identificar se o aluno será aprovado ou reprovado.São vários termos para identificar a melhor forma de avaliar, como por exemplo:
▪ A avaliação diagnóstica se dá no início de um processo e serve para revelar as aprendizagens que aquele aluno apresenta naquele momento. E pode ser aplicada através de uma produção de texto, a resolução de uma situação problema, um relatório. Mas se o resultado desse diagnóstico não for considerado nos planejamentos e projetos que o professor irá desenvolver, ela será inútil;
▪ A avaliação contínua ela surge para quebrar uma lógica, onde se avalia geralmente para nota e atribuir conceitos, nesse caso é a lógica do produto para a lógica do processo, atreves desse processo que se pode compreender a aprendizagem dos educandos (alunos), mas pode ser perigosa visto que são aplicadas provas e testes sem levar em conta a regulação de aprendizagens desses alunos;
▪ A avaliação qualitativa não dá conta de revelar quais eram as aprendizagens dos alunos e nem o que o professor ensinou. Aqui é clara a intenção de exame para qualificar, porém sem saber o que, quando na verdade é preciso haver uma observação ampla sobre o que está sendo ensinado e aprendido;
▪ A avaliação formativa ela surge para garantir que de fato as crianças possam
aprender. É uma avaliação para melhoria da aprendizagem dos alunos. Essa é uma
das avaliações mais importantes e significativas, pois ela considera as
aprendizagens, respeita o sujeito da aprendizagem, considerando como eles
pensam, elaboram, refletem e desenvolvem teorias sobre seu próprio aprender.
Vale ressaltar que toda avaliação formativa tem em si as avaliações contínuas e
qualitativas, porém nem toda avaliação contínua visa o caráter formativo;
▪A avaliação somativa ela é uma síntese do processo, que geralmente se concretiza com notas ou conceitos. Nesse tipo de avaliação é gerada uma nota (um conceito) sem considerar a trajetória de aprendizagem desse aluno. Como por exemplo o professor atribui uma média e não contribui para um processo formativo. Ou seja, ele acaba classificando ou selecionando esse aluno, sem levar em conta a capacidade de melhoria da sua compreensão e aprendizagem;
Na avaliação formativa o professor
pode regular a aprendizagem, intervir no momento em que a criança apresenta
alguma incompreensão de determinado conteúdo e criar estratégias e
possibilidades para sanar essa dúvida e assim contribuir para o seu
aprendizado. E assim o professor lança um novo "desafio" (avaliação)
para diagnosticar se o aprendizado foi satisfatório.
Nesse processo é interessante que essa intervenção do professor seja
interativa, onde professor e aluno trabalhem junto em prol de uma melhor
aprendizagem e compreensão.
Na avaliação formativa o erro passa a ser "fonte de aprendizagem",
uma fonte de estudo, quebrando assim o isolamento do professor, levando ao
debate coletivo sobre o que esses alunos estão aprendendo ou não, e refletir
sobre a qualidade da aprendizagem, pois sem aprendizagem não há ensino. É importante perceber que a avaliação não é o único instrumento para avaliar,
existem outras formas e meios para isto. A avaliação deve ser motivo discussão
entre professor e aluno sempre.
Temos como outras formas de avaliação os portifólios, seminários, desenhos (na
educação infantil), teatro, a observação, a auto avaliação, etc.
6. Avaliações institucionais e externas de desempenho dos alunos
Até
agora foi discutido a avaliação como forma do professor verificar, conceituar e
regular as aprendizagens dos seus alunos. Mostrada sempre de uma maneira ampla
e com perspectiva histórica para sua compreensão. Agora iremos tratar de uma outra forma de avaliação, as institucionais e
externas, aplicadas em larga escala. E essas avaliações não estão nas mãos do
professor, e sim por uma equipe responsável e que muitas das vezes nem trabalha
na escola que será avaliada.
Embora sejam importantes essas avaliações, elas recebem muitas críticas, devido
sua forma de avaliar, que é ampla e as vezes não leva em conta as
particularidades da região ou comunidade avaliada, como também pela forma como
os resultados dessas avaliações são trabalhados. Entre as mais conhecidas avaliações institucionais e externas estão o SARESP,
ENEM, PISA ou Prova Brasil, além daquelas que as próprias escolas (em sua rede
de ensino) aplicam para avaliar os seus alunos.
As principais características dessas avaliações são:
▪ grande parte delas são organizadas e administradas pelo estado, tendo uma
característica oficial;
▪ são elaboradas e pensadas para um número razoavelmente grande de alunos;
▪ todos são avaliados da mesma forma e com o mesmo conteúdo presentes nas
provas (questões e assuntos abordados), independente da região que será
aplicada, ou seja, são padronizadas (um dos motivos de grande crítica);
▪ tem como finalidade ranquear a instituição (classificar e selecionar),
apontando qual é a melhor, regular ou pior em relação ao desempenho obtido;
▪ os critérios e resultados dessas avaliações são tornados públicos;
E como já foi dito, apesar da importância de cada característica acima dessas avaliações, ainda assim são alvo de polêmica e críticas, pois elas nem sempre levam em conta o processo de ensino de cada região e as particularidades dos alunos avaliados. Elas acabam produzindo um efeito considerável no trabalho do professor, no que diz respeito ao empenho e preocupação desses profissionais em "preparem" da melhor forma seus alunos para que se obtenha ótimos resultados (como também esse efeito pesa sobre as escolas avaliadas).
Mas essas avaliações tem uma razão de ser, que é a busca pela qualidade de
ensino. Ao serem aplicadas existe nelas uma vontade, um intuito, de que o ensino
caminhe da melhor forma possível, e assim verificar como o trabalho nas escolas
estão acontecendo, quais são seus resultados e buscar entender os pontos
frágeis e onde será preciso investir mais.
Nesse processo há uma grande controvérsia, pois enquanto o movimento das
escolas buscam maior autonomia para o professor em relação ao que e como
ensinar, eles também são "cobrados e ceifados" no momento das
avaliações institucionais e externas.
Em defesa às avaliações externas é o fato de que elas produzem um olhar necessário para o que está acontecendo nas instituições escolares. Como retratar quantos alunos estão matriculados, quantos estão sendo aprovados, quantos conseguem se formar, permitindo assim que se veja o cenário educacional de forma sistemática.
Por isso é preciso que se tenha um olhar moderado e ponderado para essas avaliações e para os resultados por elas obtidos. Para que elas não sejam vistas apenas como uma forma de controle, mas como uma possibilidade de análise que pode ser útil, inclusive para uma avaliação formativa. Como podemos auxiliar as aprendizagens se não conseguimos reconhecer onde estão os eventuais problemas (ou dificuldades) !? E avaliação formativa passa por esse processo de regulação, o que se pode notar um pouco presente nas avaliações externas.
7. O trabalho escolar é trabalho coletivo
A avaliação começa pensando em currículo e construção coletiva. Esse projeto deve ser o mais democrático possível. Existem alguns princípios que norteiam a prática democrática e coletiva como por exemplo a equidade, coletividade e currículo pensado na infância, e reconhecem que as crianças não chegam todas com o mesmo percurso de conhecimento, cada uma traz a sua bagagem, e por isso a equidade é um princípio muito importante, ou seja, trabalhar em cima daquilo que a criança precisa, não individualmente, mas dentro do coletivo e priorizando quais atividades podem ser aplicadas para que essa criança avance e atinja os objetivos para cada série (tempo de aprendizagem).
Pois toda sala de aula é heterogênea, com muitas diversidades e por isso é
preciso pensar em estratégias para essa mistura de conhecimentos diversos que
cada aluno traz consigo, como também suas dúvidas, dificuldades e particularidades. Por esse motivo ao se pensar em avaliação tendo como fundo essa heterogeneidade
é preciso entender que essa avaliação começa desde o ingresso dessa criança na
escola, podendo ser avaliada a cada atividade realizada ou ciclos.
E vale ressaltar que esse currículo deve ser voltado para educação infantil,
para a realidade que a criança está vivendo.Por isso o trabalho escolar é um trabalho coletivo, tendo em vista a elaboração
desse currículo que deve ser avaliado pelo professor e seu próprio trabalho,
como também a avaliação diagnóstica das crianças.
Essa avaliação tem a
finalidade de reconhecer os conhecimentos prévios dessas crianças e qual será o
público a ser trabalhado. Detectando assim quais crianças precisam de mais atenção em relação às suas
necessidades de aprendizagem. Onde volta se a enfatizar o princípio da equidade, onde o professor deixa de
ser isolado, ensinando o mesmo conteúdo para todas as crianças, mas sim,
desenvolvendo um ensino diferenciado e focando nas dificuldades de cada aluno.
Evitando assim a ideia errônea de fracasso como professor ou como aluno, quando
na verdade basta mudar a forma de ver e ensinar a cada criança em suas
particularidades.
A partir de todas esses pontos citados acima surge a necessidade da autonomia para que o professor possa desenvolver atividades voltadas para o grupo focal (as crianças que precisam de uma aprendizagem mais focada em suas dificuldades) uma vez que ele sabe melhor que ninguém do que essas crianças precisam para avançarem em sua aprendizagem.
Assim o professor pode criar um material próprio, um plano de aula, sempre
pautados nas diretrizes e parâmetros, levando a uma ação, reflexão e prática
todos os dias.
Se ganha muito mais com pensamentos coletivos no que individualmente, isso é
fato. A escola foi criada com a ilusão de que todos poderiam aprender a mesma coisa,
ao mesmo tempo e do mesmo jeito. E essa não é a realidade, pois a diferença
entre os alunos existem e é inevitável, e isso que a escola, coordenadores e
professores preciso entender e trabalhar de forma que contribua de fato para
uma aprendizagem eficaz.
E partindo deste princípio a avaliação deve ser diagnóstica, como já foi dito, que não serve para selecionar ou qualificar, e sim reconhecer e investigar o que precisa ser mudado ou mantido, ou seja, uma avaliação para aprendizagem.Equidade: consiste na adaptação da regra existente à situação concreta, observando-se os critérios de justiça. Pode-se dizer, então, que a equidade adapta a regra a um caso específico, a fim de deixá-la mais justa. Ela é uma forma de se aplicar o Direito, mas sendo o mais próximo possível do justo para as duas partes.
Manejos
pedagógicos para a equidade no chão da escola
▪ grupos diferenciados no processo de alfabetização, divididos em níveis de aprendizagem (grupo avançado, intermediário e básico), onde cada grupo trabalha as dificuldades apresentadas;
▪ círculo de leitura, englobando todos os alunos de maneira que todos criem o hábito de ler e aprender através dessas leituras, que vem a contribuir muito na escrita. Também com divisão de grupos e suas particularidades;
▪ trabalhar a ludicidade das crianças, tornando assim a aprendizagem prazerosa e apaixonante aos alunos;
▪ jogos matemáticos como auxílio importante na aprendizagem, sempre em grupos reduzidos de alunos, com o mesmo tema proposto, possibilitando assim uma melhor absorção dos conteúdos;
Todos esses manejos visam avaliar o professor e os alunos, levando a uma reflexão diária de como a prática pedagógica pode ser construída de forma coletiva, justa e eficaz.
Considerações pessoais do tema
"Muito rico o conteúdo das vídeo aulas dessa semana, traz uma ampla reflexão para todos os professores, coordenadores e para nós alunos em formação pedagógica sobre como a coletividade e equidade no trabalho escolar é importante e de um resultado bastante eficaz e benéfico para as crianças envolvidas. Ao meu ver o ponto primordial das aulas foi o destaque para avaliação diagnóstica, que tem como finalidade central reconhecer aquilo que a criança traz de bagagem em relação aos seus conhecimentos e possibilitando assim que os professores trabalhem as particularidades de cada uma delas de maneira focada. Sem dúvida uma avaliação voltada para aprendizagem."
(Demétrius Pecoraro)
